I Mostra Latino-Americana de Filme Etnográfico

Filmes Selecionados

Os filmes abaixo compõem nossa I Mostra Latino Americana de Filmes Etnográficos, com o total de 23 filmes selecionados no processo de curadoria compartilhada em rede.

O acesso à íntegra dos filmes é livre (autorizado pelos proponentes/autores no ato da inscrição) e nossa sugestão é de que os três primeiros dias da semana sejam usados para que cada pessoa programe, também livremente, suas próprias sessões de exibição online, se possível conectando o computador/dispositivo/ tela grande. Convidados todos e todas para acompanhar os debates nas sessões organizadas com os realizadores e convidados dos filmes, nos dias 5, 6 e 7 de outubro sempre às 18 horas.

Para estimular as discussões teórico-metodológicas da pesquisa com imagem no âmbito das Ciências Sociais e da Antropologia, convidamos os/as realizadores/as para a participação do debate a ser realizado na plataforma zoom (https://zoom.us/j/96136877219) durante o evento, conforme dia e hora estabelecidos na programação que segue abaixo.
Agradecemos desde já e contamos com sua participação!

DIA 1 (SEGUNDA 05/10) – 18h
Debatedor(a): Gilmar Santana e Lisabete Coradini
1º Eixo: ARTE, CULTURA E SOCIEDADE

Cantos de Origem
Direção: Brenda Zacharias, Chico Sales, Gislene Nogueira, Marcella Ferrari e Paulina Meza.
Duração: 20’
São Paulo, SP Brasil 2019

Sinopse:
Qual é o lugar de fala das mulheres migrantes na antropofágica São Paulo? Quais os extremos desse território? Em Cantos de Origem, as vozes de três cantoras migrantes são entrelaçadas com música e percorrem o coração econômico da América Latina, resgatando suas origens enquanto projetam seu futuro sem fronteiras.

Cinemas do interior
Direção: José Muniz
Duração: 39’05”
Brasil/Rio Tinto/PB 2019


Sinopse:
Os cinemas no vale do mamanguape, região localizada no litoral norte da Paraíba, foram bastante presentes na vida dos interioranos durante décadas. Dois são os maiores e principais cinemas desta região que projetaram filmes em bítolas de 35mm, Cine Teatro Eldorado (1965-1989) e o Cine Teatro Orion (1944-1988), respectivamente, localizados nas cidades de Mamanguape-PB e Rio Tinto-PB, municípios compostos por indígenas Potiguara e pequenos trabalhadores rurais, que iniciam sua urbanização/modernização com a instalação da Fábrica de Tecidos Rio Tinto em 1917, a imigração de trabalhadores à Fábrica, construções de casas e prédios públicos e a entrada dos grandes cinemas com as imagens dos antigos filmes exibidos que apresentaram um novo mundo até então desconhecido por parte desta população. Sendo parte integrante de uma pesquisa de mestrado intitulada Etnografia das memórias cinematográficas no vale do mamanguape-PB (2019), este filme aborda as memórias coletivas e os cinemas, as recepções fílmicas dos antigos espectadores e trabalhadores dos Cines Orion e Eldorado e as relações e diálogos construídos durante 6 anos de pesquisa com a câmera filmadora. Apesar do fechamento destes antigos cines, os espectadores/moradores dessas duas cidades, revivem e rememoram as antigas experiências através de novos aparelhos (Tv’s, computadores e celulares) e plataformas (Facebook), dando continuidade as suas memórias cinematográficas, apresentando as influências do cinema e dos antigos filmes nas suas vidas cotidianas.

Rota do Samba
Direção: Carlos Maroto Guerola, Lucas Silva Moreira.
Duração: 08’37’’
Brasil, Bahia, São Francisco do Conde. 2020


Sinopse:
O curta etnográfico “Rota do Samba” acompanha sambadores e sambadeiras no relato dos seus conhecimentos e experiências sobre a ligação entre rezas e samba, assim como sobre a história do samba chula, do conjunto de samba chula “Filhos da Pitangueira” e da cidade de São Francisco do Conde, no Recôncavo da Baía de Todos os Santos.

Irmãos da Cruz
Direção: David Damasceno
Duração: 12’
Brasil, Barbalha – Ceará 2017


Sinopse:
Irmãos da Cruz entrelaça o diálogo entre o passado e o presente, por meio das vozes dos decuriões Joaquim Mulato e Antônio de Amélia, da Ordem de Penitentes Irmãos da Cruz de Barbalha/Ceará. Fenômeno do catolicismo popular de origem secular que resiste aos anos e luta pela sobrevivência no vale do Cariri cearense.

Poesia e Resistência
Direção: Vicente Paulo Sousa
Duração:10’38”
Sobral/CE, Brasil 2018


SINOPSE:
Poesia e Resistência é uma produção que traz narrativas poéticas sobre as condições da periferia. Através do recitar da poesia marginal e das rimas, poetas (slamers) e rappers falam das múltiplas realidades e circunstâncias periféricas, cujas abordagens deixam clara a forma de resistência desses sujeitos no tocante as dificuldades nestes espaços e suas agências enquanto produtores de uma literatura que denuncia, e ao mesmo tempo se apropriam de seus lugares numa atitude de defesa e criação de territorialidades identitárias.

2º Eixo: CIDADE, MEMÓRIA E COTIDIANO

A solidão dos corpos negros no espaço acadêmico
Direção: Renata do Amaral Mesquita
Rosália C. Andrade Silva
Duração:7’29’’
Recife, Brasil. 2019.

Sinopse
O enredo foi estruturado a partir de relatos de corpos negros teóricos, com cenas ficcionais que retratam o viver negro na universidade. À narrativa aponta para as várias formas imbricadas pelo sistema de estabelecer o racismo em analogia a infraestrutura do espaço que através de moldes coloniais ou subjetivos subalternizam o corpo negro intelectual e político.

LENINGRADO, LINHA 41
Direção: Dênia Cruz
Duração: 20’
Natal – Brasil – 2018


Sinopse:
Na madrugada da sexta-feira santa de 2004 inicia-se uma ocupação. Cerca de 120 famílias armam seus barracos e começam a luta pelo direito à moradia. Surge o assentamento Leningrado em Natal, uma alusão a cidade soviética sitiada em 1941 durante a segunda guerra mundial. Ambos lugares de resistência e dignidade. Após anos de existência Leningrado ainda não tem serviços básicos como escola, saúde, segurança e lazer. Sua única ligação com a cidade é a linha 41, que precisa ser ampliada. Leningrado, linha 41 uma história de luta por direitos humanos.

“Linha 160B”

Direção: Julia Donati

Duração: 3′ 52”


Sinopse:
Uma viagem pelos subúrbios de Natal seguindo o itinerário da linha de ônibus 160B que vai desde o litoral de Santa Rita a Petrópolis e revela uma diversidade de paisagens urbanas e de tipos humanos que habitam cada bairro, ali trabalham, ou apenas se deslocam de um ponto a outro. No vai e vem das ruas, o ônibus segue seu percurso.

Não estamos à Venda
Direção: Raquel Cardoso
Duração: 38’32”
Brasil, Ponta Negra, Natal-RN. 2019


Sinopse:
O documentário “Não estamos à venda” apresenta a história que poucos conhecem sobre Ponta Negra, Natal-RN. Com falas das famílias mais antigas do bairro, formadores de uma cultura popular que carrega a história afro-brasileira e um riquíssimo conhecimento agrícola e paisagístico e, também apresenta as falas de representantes de movimentos sociais locais com
uma importante mensagem aos telespectadores.

O que eles falam
Direção: David Damasceno, Eric Pinheiro, Fernanda Maia, Leonardo Câmara, Luiz Brito, Yago
Dantas
Duração: 27’54”
Brasil, Fortaleza – Ceará 2017


Sinopse:
O Que Eles Falam é um mini documentário que, mais do que falar, quer ouvir. O que interessa aqui é escutar as histórias de vida de pessoas que se confundem e se entrelaçam com a história do lugar onde habitam. São pessoas que, se fossem tiradas daquele território, não se reconheceriam mais. Seria como se lhe roubassem sua história e sua identidade. Queremos
entender porque essas vozes não estão em anúncios, matérias e campanhas publicitárias que falam daquele lugar; porque eles e elas não se reconhecem quando veem sua comunidade ser retratada em maquetes eletrônicas de empreendimentos urbanos; porque quando eles falam de um lugar que funciona quase que como extensão do corpo de seus moradores, essas vozes não são ouvidas. Agucemos nossos ouvidos, pois elas e eles tem muito o que falar.

DIA 2 (TERÇA 06/10) – 18h
Debatedor: Alejandro Escobar Hoyos
Eixo 3: TRABALHO PRECÁRIO, GÊNERO E TRADIÇÃO

Curadeiras
Direção: Victória Gadbem
Duração: 13’12”
Parnamirim (RN) , Serra de São Bento (RN) Brasil 2019


Sinopse:
CURADEIRAS conta a história de quatro mulheres do interior do Rio Grande Norte que desenvolvem ainda hoje, trabalhos de cura através de rezas, benzimentos e remédios naturais. No desenrolar da trama, Dona Nita, Dalva, Isabel e Francisca, intercalam suas narrativas trazendo à tona questões como fé, família, infância e morte e dão pistas de como suas relações com a espiritualidade e o vasto conhecimento curativo que possuem, lhes colocam como agentes sociais em suas comunidades.

Filadelphia
Direção: Dani Drumond
Duração: 7′
São Paulo, Brasil 2018


Sinopse:
“Homem aqui aguenta duas semanas. Quando inteira um mês, já vai embora”. Num barracão de madeira situado na zona leste de São Paulo, 16 mulheres trabalham na Cooperativa Filadelphia, que atua há 10 anos na triagem de material reciclável. Suas mãos realizam com rapidez a separação dos produtos, coletados pelas cooperadas pela cidade de São Paulo e recebido por meio da parceria com a Prefeitura Municipal. Um assunto inevitavelmente vem à tona: por que os homens desistem tão cedo de trabalhar na cooperativa?

Memórias Visíveis
Direção: Pé de Figo Filmes
Duração: 13’38”
Rio Tinto, Paraíba, Brasil 2019


Sinopse:
No litoral norte paraibano uma catadora de recicláveis conta sua história. Para além de seu trabalho insalubre, vive uma mulher de grande generosidade, narrando suas alegrias, memórias e lutas.

Os operários do barão
Direção: Eduardo Donato
Duração: 38′
BRASIL – JOÃO PESSOA – 2019

Sinopse
A memória das lutas e das condições de existência dos trabalhadores de Rio Tinto (PB), contadas através das histórias de vida dos moradores da Rua do Barão, uma das mais antigasda Vila Operária local.

Pesca do Boto
Direção: Olavo Ramalho Marques
Duração: 38′
Ano de Produção
Porto Alegre, Brasil 2020

Sinopse:

A partir das narrativas de cinco pescadores artesanais de Tramandaí/Rio Grande do Sul/Brasil, o documentário etnográfico retrata a complexa relação entre pescadores e botos na Barra do Rio Tramandaí, que através de gerações perpetuam uma interação que configura uma paisagem única no mundo.

Rosa de aroeira
Direção: Mônica Mac Dowell
Duração: 19’59”
Brasil/RN/São Miguel do Gostoso 2020


Sinopse:
O filme mostra, de maneira simples, autêntica e emocionante, a força das mulheres da pequena comunidade do Reduto, localizada em São Miguel do Gostoso/RN. Quatro mulheres contam suas histórias de vida por meio do relato de suas longas jornadas de trabalho. Seja no roçado, no trabalho coletivo na casa de farinha, no incansável e constante trabalho das rendeiras de labirinto, seja na busca por melhores condições de vida para seus filhos. Filmado com celular, o documentário surpreende e apresenta cenários de uma beleza única onde vivem Dona Neusa, 99 anos, Dona Deuzuíte, Dona Gracinha – símbolos de resistência e tradição – e Robéria, jovem mulher trabalhadora que luta pela inclusão do filho com deficiência. O filme é costurado pela trilha sonora original, criada por Valéria Oliveira especialmente para o curta.

Tingo Lingo
Direção: Wallace Santos
Duração: 18′
Brasil, Natal/RN 2018

Sinopse:

Vitôr, Eliélson e Valtinho são três vendedores de cavaco chinês que transitam separadamente entre os cenários rural, litorâneo e urbano, percorrendo distâncias a pé, mas na companhia do característico triângulo, que anuncia com sonoridade inconfundível a chegada do biscoito doce. As longas andanças propiciam encontros, momentos de solidão e um contraste sonoro resultante destes. O ritmo dessas vidas é regido por Trindade, a serralheira que pressente nos noticiários a ameaça iminente aos direitos dos trabalhadores brasileiros.

Um Ouvido no Fone e o Outro na Cidade
Realização: Alexsânder Nakaóka Elias
Anna Flávia Guimarães Hartmann
Arthur Silva Barbosa
Brenno Brandalise Demarchi
Luiz Henrique Campos Pereira

Noelle Rodrigues Ventura
Renan Moretti Bertho
Duração: 8’16”
Irlanda e Brasil 2020


Sinopse:
Fazer entregas por aplicativos faz parte da realidade de muitos/as brasileiros/as, inclusive para aqueles/as que vivem em países estrangeiros. O filme, por sua vez, aborda a vida dos/as riders brasileiros que moram em Dublin. Em conversas informais com esses/as entregadores/as, eles/as relatam ao interlocutor como músicas, podcasts e os sons da cidade tanto amenizam, quanto viabilizam seu dia a dia de trabalho.

DIA 3 (QUARTA 07/10) – 18h
Debatedor: Rafael Leal Matos
Eixo 4: VISIBILIDADES, ORGANIZAÇÕES COLETIVAS E INDÍGENAS

A vida é sempre um mistério
Direção: Calvin Da Cas Furtado
Duração: 17′
Brasil, 2019.

Casa de Palha
Direção: Oswaldo Giovannini Junior
Duração: 35’35”
Cabrobó, Pernambuco, Brasil.2019


Sinopse:
Casa de Palha é um filme que aborda as relações entre memória, técnicas de construção, religião e luta pelo território do povo indígena Truká. Um filme etnográfico que se vale de uma linguagem direta, participativa e colaborativa, valorizando a perspectiva de uma antropologia compartilhada, embora de produção autoral e individual. A narrativa gira em torna da construção de uma oca ritual para os trabalhos espirituais de Mesa e Toré. Acompanha o processo de construção coletiva e sociabilidade até a realização de um ritual de Jurema gravado pela primeira vez entre o povo. Destacam-se no filme a naturalidade do comportamento dos protagonistas, a permissão dos mesmos e dos Encantados para a gravação do ritual e a finalização colaborativa do roteiro, acompanhado de perto pelos oficiantes e com a presença dos seres espirituais. A pesquisa e a gravação feitas por uma só pessoa e de longa duração (entre 2013 e 2015, com retorno em 2019) com uma câmera pequena foi uma escolha técnica que facilitou o acesso a tais momentos.

Incomuns
Direção: Isabela Umbuzeiro Valent
Duração: 30′
São Paulo Brasil 2019


Sinopse:
Um filme colaborativo que retrata a experiência de coletivos artísticos e culturais da cidade de São Paulo por meio do olhar e sensações de seus participantes. A narrativa revela inúmeras redes de cuidado e apoio que persistem por meio do convívio com a diferença, da construção de um “comum”, do acesso à cidade, e do acolhimento de tudo aquilo que entende-se como incomum.

Kajurai Araitê – Festa da Castanha
Direção: Fábio Oliveira
Duração: 8’55”
Comunidade indígena Mendonça do Amarelão, João Câmara/RN – Brasil 2019
Sinopse:
Uma das festividades indígenas mais importantes do Rio Grande do Norte é documentada por estudantes após oficinas de audiovisual inserindo seus próprios olhares no curta intitulado Kajurãi Araite.

Katu
Direção: Alessandro Campos
Duração: 50’
Brasil/MA.


Sinopse:
Filme realizado a partir do pedido de lideranças Ka’apor da aldeia Axinguirendá, T.I. Alto Turiaçu situada no Estado do Maranhão, que se organizam para fazer seu próprio filme. O desejo surge após assistirem imagens de seus antepassados, feitas em 1949 por Heinz Forthmann e Darcy Ribeiro, além produções realizadas por cineastas indígenas durante várias
noites na ohú da aldeia (casa comunal). Acionados pelo poder do audiovisual, decidem mostrar – ao mesmo tempo revitalizar – sua cultura e se fazer conhecer da mesma forma que seus outros parentes fizeram nos filmes.

Sobre câmeras, espíritos e ocupações
About cameras, spirits and occupations
Direção, câmera e edição: Lucinho Tavares Kanamari, Markus Schall Enk, Shapu Mëo Matis
Duração: 38’
Brasil/Holanda 2018


Sinopse
Tríptico dividido em três curtas complementares que não busca apenas denunciar vislumbres exóticos ou situações opressivas, mas também refletir sobre a produção de mídia indígena e as formas em que os curtas se entrelaçam, principalmente na complementariedade que não é audível nem visível. Por exemplo, estariam antropólogos e cineastas, ao prepararem suas obras, tentando afetar corpos e transformar estados de espírito, assim como os pajés?


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